terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vale a pena (eu) pensar nisto!

O que eu publico neste meu cantinho é um pouco o reflexo das minhas vivências e estados de espírito, é perfeitamente natural e plausível que assim seja. Ora, se até fins de Outubro do ano passado, este blogue tinha uma certa dinâmica, as publicações eram bastante frequentes, num tom muito mais divertido e leve, a partir desse momento para cá, é facilmente perceptível um progressivo sentimento de indignação, frustração e um certo tom agressivo latente em (quase) tudo o que escrevo.

Coincidência das coincidências, esse "ponto de viragem" foi o meu regresso a Portugal.

Se eu me puser a pensar na pessoa que eu era em Zurique e na pessoa em que me transformei aqui, assusto-me! A sério que sim! Estar em Portugal faz-me mal! Ando ressabiada o tempo todo, com a amargura a crescer-me no peito, revoltada contra o esquema absurdo em que esta sociedade está montada, enfim, por ser obrigada a estar confinada a este país.

E como se isto não fosse já suficiente mau, quando digo isto a algumas pessoas, sou logo atacada ("Ah e tal, Portugal é que é bom!..."). Por amor de Deus, deixem-me em paz! Se é nisso que acreditam, "Parabéns à prima que pariu a burra"! Ou não conhecem outra realidade - que isto é como os burros que usam as palas e só vêem para a frente, ou tiveram sempre muita sorte nesta sociedadezinha de merda, pertencendo ao grupinho selecto e restrito dos favorecidos, dos que nunca foram tocados pelos problemas reais. Ou então... e para mim é o pior motivo, acham que é normal assim e estão perfeitamente acomodados.

De uma forma ou de outra, todos andamos em busca de ser felizes e não é aqui que eu o vou ser! Já tive provas mais que suficientes disso, aliás quase todos os dias sou confrontada com mais momentos e situações, verdadeiras pérolas de uma sociedade que se diz civilizada e de 1º mundo! Bah...

Não vejo a hora de poder sair daqui, de poder voltar a sentir-me feliz!

12 viagens:

Bruno Fehr 17 de fevereiro de 2009 às 10:55  

Afonso Lopes Vieira, um poeta da minha cidade que viveu muitos anos em exílio auto-imposto, disse : "tive de sair do meu país para o continuar a amar". Eu nunca percebi esta frase até ter ido para Londres. Comecei a ver os defeitos do meu país e percebi que estava cego.
Ao vir para Hamburgo encontrei o meu lar.

Gosto muito de Portugal, mas ao longe. É um país para fazer férias, mas não todos os anos e quando as faço, mais de 15 dias torna-se tortura.

O país é lindo, amo-o, mas a forma de pensar e de do povo Português se comportar, deprime-me um bocado.

cipereira 17 de fevereiro de 2009 às 11:00  

Ia escrever agora mesmo um "PS" a este texto que consistia exactamente em referir que "Ah e tal, Portugal é que é bom!..." mas ao longe!

Nuno Oliveira 17 de fevereiro de 2009 às 11:15  

Ainda não estou há tempo suficiente fora para estar assim de mal com Portugal. Mas já gosto mais disto aqui.

Porém uma boa oportunidade em Portugal e não olhava para trás!

A C 17 de fevereiro de 2009 às 11:25  

Acho que infelizmente, pelo que tenho visto e ouvido, a maioria das pessoas que gostam de viver em Portugal se inserem no último grupo dos que "acham que é normal assim e estão perfeitamente acomodados".
Habituaram-se de tal forma a viver daquela maneira que não imaginam sequer que possam existir maneiras de viver diferentes, sistemas de justica que funcionam, sistemas de trabalho justos, etc.
Daí a famosa frase que ouco tantas vezes: "Vais ficar desiludida. É em todo o lado assim! Tens é a mania que és melhor que os outros!".

Desculpem qualquer coisinha e se firo susceptibilidades mas não gosto de viver cega e acho que as pessoas devem revoltar-se e ficar "ressabiadas" com as coisas que estão claramente mal!
E as coisas em Portugal já ultrapassaram o estado de achar que (quase) tudo estar mal ser "mera opinião" de pessoas com "a mania da perseguicao"!

cipereira 18 de fevereiro de 2009 às 01:25  

Nuno:
Acho que encontrar a tal oportunidade vai ser um problema...

cipereira 18 de fevereiro de 2009 às 01:25  

AC: agora é que disseste tudo.

S 18 de fevereiro de 2009 às 12:04  

N há nada que mine mais o n/ quotidiano do que sentirmos que deveríamos estar a viver outra coisa qualquer, que andamos a perder tempo.

cipereira 18 de fevereiro de 2009 às 15:28  

S:
E perceber, com um sentimento de impotência, que a vida nos está a passar ao lado!

Marshmallow 20 de fevereiro de 2009 às 11:22  

Se eu te disser que fui 4 dias a Portugal e andava a contar as horas para voltar, acreditas?
Ia escrever sobre essa mesma percepção de Portugal, e na forma como somos incompreendidos!

cipereira 21 de fevereiro de 2009 às 00:21  

Marshmallow:

Acredito!

Mas escreve na mesma, é sempre mais um testemunho...

edelweiss 22 de fevereiro de 2009 às 08:49  

Claudia, compreendo que o choque do regresso seja grande, toda a gente que volta para o seu próprio país passa por ele, mas desafio-te a passares 6 anos seguidos fora de Portugal que vais ver que começas a achar que afinal Portugal é apenas um país com defeitos e qualidades, como todos os outros.Claro que uma pessoa se habitua à qualidade, à limpeza, à organização, à segurança, aos maravilhosos cuidados médicos, aos excelentes transportes públicos, à paisagem de sonho, etc., etc, de Zurique, mas, a sério, aproveita a vida onde a estás a viver!

cipereira 22 de fevereiro de 2009 às 11:39  

edelweiss:
obrigada pelo teu comentário! O "choque do regresso" passei-o da primeira vez que regressei de Zurique. Da última, como já sabia para o que vinha, já não foi choque nenhum. Eu não queria MESMO vir embora, vim a chorar no avião e nem a visão dos meus pais e irmão no aeroporto à minha espera que conseguiu por um sorriso nos lábios.
O estar aqui há já alguns meses, só veio confirmar tudo aquilo que eu já sei que não quero. E como queres que aproveite a vida onde estou?! Que tenho eu aqui para aproveitar?! A sério?! Cada um tem as suas experiências/histórias de vida e é isso que, de uma certa forma, nos faz tomar esta ou aquela opção, ir por este e não por aquele caminho... Nos meus (apenas) 28 anos de vida já passei por muita coisa e também por muita coisa não pude passar - há sempre casos piores, eu sei, mas é suposto eu sentir-me feliz com isso?! E ao comparar as 2 vidas que eu tive, as 2 pessoas que fui, acredita que prefiro, sem margem para dúvidas, a vida e a pessoa de Zurique.

E como o Bruno disse no 1º comentário e eu confirmei logo de seguida: Portugal é sem dúvida um país espectacular - mas ao longe e quando não se sente na pele a podridão em que ele está!

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